[ editar artigo]

Impacto Social e Psicológico de um Cenário de Pandemia

Impacto Social e Psicológico de um Cenário de Pandemia

O cenário de pandemia nos forçou a reinventar o cotidiano e a repensar a qualidade das relações diante do impacto social causado por um vírus desconhecido. O dia 26 de fevereiro de 2020 foi um marco, o Brasil ouviu falar do primeiro caso confirmado da doença que alcançou e afetou o mundo, a temida COVID-19. Posso dizer que, desde este dia, muitas coisas mudaram de forma radical em nossa nação.

A cada dia, a impressa brasileira noticia o aumento dos casos atendidos por COVID-19, mortes e pessoas curadas. As incertezas de como tudo seria e aconteceria começou a fazer parte dos nossos pensamentos a partir do primeiro caso confirmado. Começamos a ver, juntos, um cenário de caos, onde todos os pilares da nação como: economia, saúde, educação, social foram atingidos. Três meses se passaram, e o que temos aprendido com tudo isto? Qual é a nossa realidade hoje?


Sou assistente social há 13 anos, e há cinco, atuo na área da saúde. Hoje compreendo que o COVID-19 não é uma doença que atinge apenas a nossa saúde física, mas que também afeta fortemente a nossa vida social. Uma doença que acabou desencadeando fatores que, infelizmente, geraram um grande impacto na saúde mental das pessoas.

 

Fatores Econômicos

Na  área da economia, começamos a ver os empresários e líderes tentando contornar a questão do desemprego, aderindo à proposta do Governo e suspendendo contratos de trabalho com seus colaboradores. Estas medidas, em nada ajudou no que se refere à sensação de medo, insegurança e pavor que invadiu a vida desses colaboradores. Sentimentos que provocaram questionamentos, que ficaram cada vez mais frequentes, como reflexo do quanto foram afetados em seu emocional: “Será que amanhã terei o meu emprego novamente”? "Como será o amanhã?" “Como vou pagar as contas?”.

 

Efeitos na Sociedade

Infelizmente, da noite para o dia, fomos forçados a viver em isolamento social e a intensificar os cuidados com a higiene pessoal e com a das pessoas ao nosso redor. Demonstrações de afetos, como abraços, beijos, são “proibidos”.  Avós não podem mais ver seus netos, filhos não podem mais visitar os seus pais, empregados executando suas tarefas do trabalho em casa, muitos profissionais informais e autônomos sem condições de garantir o seu sustento diário, escolas e universidades fechadas, igrejas fechadas, grande parte do comércio com portas fechadas. Uauu! Vemos o caos se instalar em nosso dia a dia.

 

Consequências Psicológicas

Atuo no campo da saúde mental junto a uma equipe interdisciplinar em meu local de trabalho, e, infelizmente,  o número de atendimentos de pessoas doentes em suas emoções aumentaram. É inevitável observar que problemas sociais como desemprego começam a aumentar na nação, gerando insegurança, medo e pavor na sociedade como um todo. Começamos a deparar com esta realidade em nosso convívio. Talvez você ainda esteja empregado, mas conhece ou sabe de alguém que perdeu o seu emprego, ou que esteja sem condições de trabalhar.

Em contrapartida, vemos uma mobilização positiva da sociedade para ajudar as pessoas que não têm condições de prover e garantir o alimento diário em seus lares. Vemos artistas e igrejas ajudando tantas pessoas que têm sofrido com as questões sociais que a pandemia acabou trazendo e agravando em algumas regiões, através campanhas, mobilizando arrecadação de alimentos e produtos de higiene. Porém, essas doações não têm sanado a dor e o medo que muitas famílias sentem e vivem hoje, em tempos de pandemia.

Como reagir e lidar com tudo isso?

Outro agravante preocupante, é que, como profissionais da saúde, também observamos o aumento da procura por atendimento relacionado à saúde mental. O número de “depressão”, “recaídas para uso de drogas/álcool”, “crises de ansiedade”, “transtorno de comportamentos”, “alteração de humor”, dentre outros, apenas aumentaram e seguem aumentando a cada dia. Também observamos uma grande procura nos  internamentos em Unidades Hospitalares Psiquiátricas, o que nos preocupa enquanto profissionais da saúde, já que não temos tantos leitos disponíveis para estes atendimentos.

Posso dizer que este é um reflexo do isolamento social. Quero deixar claro que não sou contra esse isolamento, porém, não posso ignorar os efeitos negativos que isso tem trazido na vida de tantas pessoas. Em muitos atendimentos sociais que realizo diariamente, escuto relatos de medo, insegurança, de tristeza, de irritabilidade, de pânico... de pessoas que estão desmotivadas e sem esperança do amanhã, e por causa disto, com desejo de morrer. As pessoas não querer mais viver, e muitas pensam que é o fim.

Como ajudar? Como amenizar o impacto da pandemia COVID-19 em nossa sociedade?

 

Pequenos gestos, grandes feitos 

Quando voltamos os nossos olhos para a Bíblia, aprendemos que devemos amar o próximo e demonstrar esse amor. Mas, como demonstrar os afetos desse amor em tempos de isolamento social, onde a recomendação é não ter contato físico? Como abraçar em tempos de se manter longe de abraços?

Uma simples ligação faz muita diferença, pois demonstra carinho, preocupação e atenção. Temos a tecnologia ao nosso favor. Qual foi a última vez que você ligou para alguém, para simplesmente saber como ela está? Qual foi a última vez que você se importou por alguém?

Talvez você faça parte do grupo que pode ir aos mercados e farmácias com mais segurança. Seja um voluntário. Ligue para alguém que você sabe que não pode sair de casa e faz parte do grupo de risco e se mova em amor por ele. Faça as compras e leve-as para a pessoa! Você verá o quanto isso irá impactar positivamente a vida desta pessoa que você ajudou.

Se você puder ajudar alguém financeiramente, com doações de alimentos, produtos de higiene, faça isto! Seja um “amenizador do impacto social” que a COVID-19 nos trouxe e se mova em amor. Atitudes simples amenizarão e poderão curar os efeitos ruins que o isolamento social nos trouxe.

Atitudes como essas poderão ajudar as pessoas que sofrem, hoje, em suas emoções a reagirem e vencerem este tempo. Cuide também de si mesmo, para que seja possível continuar cuidando daqueles que estão perto de você. Creio que juntos venceremos esta tempestade que nos atingiu. Tudo ficará bem e vai passar... Acreditem!

 


Gostou do que acabou de ler?  Compartilhe com alguém que você acredita que também vai gostar.

Ah... e não deixe de curtir, comentar e seguir a autora, para receber suas próximas publicações em primeira mão.

Saúde

MOB Collab
Ana Luiza de Oliveira
Ana Luiza de Oliveira Seguir

Sou Assistente Social há 13 anos, e, atualmente atuo na área da saúde há 5 anos. Moro em Curitiba com meus pais. Sou formada em piano há 21 anos e nas horas vagas sou professora. Tambem atuo como Orientadora acadêmica do curso de Serviço Social.

Ler conteúdo completo
Indicados para você