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O que a teologia estuda e quem pode estudá-la?

O que a teologia estuda e quem pode estudá-la?

A resposta mais simples para essa pergunta é: a teologia se debruça sobre o que de Deus se pode conhecer e está acessível a todos que desejam percorrer essa jornada de conhecimento. Sim, todos podem estudá-la, pois todo pensamento e/ou afirmação sistematizados a respeito de Deus é, em certo sentido, teologia.

Não se deve, no entanto, confundir a simplicidade da resposta com a profundidade da questão. Por este ser um canal de conteúdo exclusivamente teológico, fica óbvio que, de maneira alguma, pretende-se esvaziar o sentido da teologia. Pelo contrário, a missão deste neófito é dar a ela a devida posição de destaque, sobretudo, no coração do leitor. E para isto, deve-se comunicar de maneira clara tantas vezes quanto for necessário sobre a acessibilidade do conhecimento teológico.

Fazemos teologia quase que o tempo inteiro, o que não significa que fazemos sempre de maneira apropriada ou que seja possível desenvolver uma boa teologia apenas com afirmações e pesamentos sistematizados aleatoriamente a respeito de Deus no dia a dia. É possível sair da superfície e descobrir níveis mais profundos sem, necessariamente, ser um teólogo acadêmico ou ter uma posição de liderança na Igreja. Afinal, se a teologia se ocupa do que se pode conhecer sobre Deus, e as Escrituras são claras quanto à possibilidade de todo homem receber tal conhecimento, é possível, sim, a qualquer interessado, estudar teologia.

 

Teologia: sujeito e objeto

Por se tratar de conhecer a Deus, a relação “sujeito-objeto” na teologia não segue o que é convencional nas demais esferas de conhecimento, onde se tem o estudioso/pesquisador como sujeito e, como objeto, aquilo que se pretende conhecer. De modo simples, mas longe do simplismo, podemos considerar que, na teologia, o sujeito do conhecimento é o teólogo, enquanto o objeto são os meios que Deus proveu para que pudéssemos conhecê-Lo. Sendo assim, Deus entra nessa equação, não como o objeto do estudo, mas como o Sujeito conhecedor e que se revela. Categoria esta que, convém salientar, é peculiar à teologia e que utilizo aqui com fins meramente didáticos.

 

Teologia e teologia

Tenho procurado fazer distinção entre os termos “Teologia” e “teologia” propositalmente, mas a diferença é meramente didática também. Com o primeiro termo, pretendo ressaltar o aspecto científico e acadêmico do estudo. O segundo, que mais utilizo por aqui, se refere à aplicação prática do termo nos contextos comuns da vida cristã. Existem categorias que são utilizadas no ambiente acadêmico que são facilmente compreendidas e muito úteis para auxiliar no que pretendemos aqui. Refiro-me às principais áreas teológicas cujos nomes variam de acordo com as correntes e autores, mas que possuem um ponto comum de compreensão para todos. Vou categorizá-las a seguir, em dois grupos: clássicas e modernas.

O grupo das áreas teológicas clássicas é formado por: Teologia Bíblica, Teologia Sistemática e Teologia Histórica. E o grupo das áreas teológicas modernas é formado por: Teologia Filosófica e Teologia Pública. Nomeei o segundo grupo por causa da necessidade e ênfase maiores nos dois últimos séculos, mas são objetos do estudo teológico há muito mais tempo.

Teologia Bíblica – é o estudo que parte para o texto bíblico a fim de encontrar a coerência existente em toda a narrativa bíblica, conduzindo o teólogo a uma maior compreensão das Escrituras e ao conhecimento da natureza e do caráter do Deus que torna o texto vivo àqueles a quem Ele se revela.

Teologia Sistemática – semelhantemente ao anterior, é o estudo que conduz o teólogo à compreensão mais apurada da revelação de Deus nas Escrituras. A diferença é que, aqui, o ponto de partida são os grandes temas teológicos, como Batismo, Eclesiologia, Trindade, etc, indo para o texto bíblico com o fim de se descobrir o que as Escrituras ensinam a respeito desses temas. Deste modo, a Teologia Bíblica é indispensável ao estudo da Teologia Sistemática, enquanto esta é um resultado inevitável daquela. É comum também, nas literaturas atuais, estar presente na Teologia Sistemática as abordagens histórica e filosófica.

Teologia Histórica – basicamente, é o estudo de como a Igreja recebeu, desenvolveu e preservou as doutrinas recebidas desde o tempo dos apóstolos até os dias atuais. Nela, descobrimos o porquê de termos um corpo doutrinário e de credos, e como podemos, ao observar os erros e acertos ao longo da história, perseverar na sã doutrina e identificar erros teológicos do passado que podem ser evitados hoje.

Teologia Filosófica – é um ramo da Teologia que utiliza de métodos filosóficos tanto no desenvolvimento quanto na análise de conceitos teológicos. É uma prática que se percebe desde os primeiros períodos da história da Igreja, mas cuja ênfase se fez com maior notoriedade desde o século XIX.

Teologia Pública – a acepção do termo é contemporânea, surge em meio às atuais demandas de proclamação da fé cristã nas diversas esferas sociais que, depois do processo de secularização, afastou do debate público a teologia e sua contribuição para a compreensão da realidade e na instrução da vida pública. Sua importância, tanto teórica quanto prática, se dá na necessidade de inserir o pensamento teológico nos variados setores da sociedade, principalmente nos que o excluíram por completo.

Esses são resumos simples que cada uma dessas áreas. Em breve, pretendo poder tratar cada uma delas com maior atenção. Por ora, minha intenção é apenas citá-las e reforçar sua importância para o desenvolvimento, seja do teólogo acadêmico ou daqueles que desejam conhecer mais do que de Deus se pode conhecer no estudo dedicado da teologia.

A teologia, portanto, é acessível a todo aquele que deseja conhecer a Deus, atentando para os meios que Ele designou para este fim. Rejeitá-la ou abster-se de estudá-la nos priva de, junto à grande nuvem de testemunhas ao longo da história, perceber de maneira clara os atos de Deus com o intuito de se revelar ao homem e torná-lo participante de Sua glória.

Encerro esse post por aqui e espero você no próximo.

 


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