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Domingo de Ramos: A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém

Domingo de Ramos: A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém

Salmo 118:25-29 | Zacarias 9:9 | João 12:12-19

Análise panorâmica contextual

Observar o passado é o fundamento para o futuro! Qual é o indício de que realmente estamos fundamentados sobre uma fé que pode transpor as principais implicações comportamentais dos nossos dias?

Qual é a baliza que dá segurança às nossas práticas cristãs?! Qual o cerne que nos mantém firmes e verdadeiramente fiéis ao Evangelho da nossa salvação?

De forma nenhuma, essas três perguntas pressupõem um reducionismo litúrgico da vida cristã, a despeito do que se deve fazer simplesmente por pura prática e comportamento aprendido, caindo no que comumente chamamos de legalismo e/ou religiosidade.

Por outro lado, a não observação da historicidade da Igreja, das suas práticas, pensamentos e comportamentos é um perigosíssimo flerte com um liberalismo teológico que acaba causando, dentre tantos problemas, uma ruptura, uma cisão e uma perda de referencial acompanhada da falsa sensação de protagonismo que
engana e ensoberbece os corações.

"Muito da tradição protestante brasileira foi moldada pelo antigo fundamentalismo evangélico, nascido em fins do século XIX, e oriundo do sul dos Estados Unidos. Entre outros, esse nos legou uma aversão aos credos da igreja e às confissões de fé." -  Franklin Ferreira - O Credo dos Apóstolos. Editora Fiel, 2015.

Entender os tesouros contidos na tradição da cristandade, como o principal ponto da catolicidade da Igreja, nos dará as ferramentas necessárias para caminharmos seguros, segundo o fundamento que foi estabelecido. Falamos a respeito de uma tradição de mais de 2000 anos, portanto estarmos ancorados nesses eventos possibilitam a formação de uma vida devocional genuína para o verdadeiro cristão. Diante disso...


Calendário Litúrgico: sua origem e propósito

Nos Séculos IV e V, os cristão procuraram uma maneira de contar o tempo, celebrando a mensagem do Evangelho ao longo do ano inteiro. Percebeu-se que o ser humano é uma criatura do tempo, o homem é litúrgico. Portanto era necessário substituir os calendários pagãos, por um calendário que contemplasse a vida e a obra de Jesus, estabelecendo marcos temporais. Sendo assim, eles organizaram seus cultos e a sua espiritualidade em torno das datas chaves.

A criação do calendário litúrgico, organizou inclusive a leitura das Escrituras de acordo com cada época do ano. Em última análise existe a função didática e pedagógica na observação do calendário litúrgico. A definição das datas do calendário cristão parte da Páscoa. Então em que momento estamos...

 

Domingo de Ramos e o início da Semana Santa

Quaresma: Lucas 4 - Antecede o Domingo de Ramos e a Semana Santa.

Um bom caminho de retorno a Deus. Ao percebermos duas realidades, da nossa glória e da nossa queda, notamos que somos peregrinos longe do lar, mas em jornada, em viagem rumo à Jerusalém do Céu. Precisamos reavaliar o que estamos investindo nesta viagem. Precisamos cortar caminhos tortuosos que atrasam a nossa aproximação do Eterno. Precisamos reorientar a nossa viagem.


Domingo de Ramos: Jo 12: 12-16 - Período que dá início à Semana Santa.

Podemos nos ater a dois aspectos de conscientização com relação ao texto. Em primeiro lugar, é o cumprimento da profecia de Zacarias 9: 9.

"Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém:eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta."

A profecia de Zacarias, acontece cerca de 500 anos antes dessa entrada triunfante de Jesus em Jerusalém, e tem um apontamento escatológico para o que ainda há de acontecer (Nova Jerusalém), entretanto ela também inaugura uma perspectiva pacífica a respeito da pessoa de Jesus, diferente daquela que se esperava d'Ele. O Messias Prometido, em sua primeira vinda é acessível, é aquele que vem para trazer  o Reino no interior dos homens.

Em segundo lugar, a revelação de quem Jesus é. A construção narrativa de João apresenta uma série de acontecimentos (Ressurreição de Lázaro, Maria unge os pés de Jesus) que culmina justamente no clamor que vem, quando Jesus adentra as portas de Jerusalém. Qual é esse clamor?

HOSANA! Isso diz respeito à preparação do Espírito para os próximos acontecimentos relacionados à Páscoa. Hosana significa literalmente "Salva-nos", portanto o que vemos aqui é um povo anunciando e clamando uma intervenção unilateral, sobrenatural e miraculosa de Jesus para a salvação da humanidade.

Esse é o Cristo do qual devemos nos ater nesse momento de preparação nesta semana que se inicia. Seja propício a nós, é  a oração que deve conduzir os nossos corações nesses dias.

 

Conclusão

Quem é o Cristo para nós? O mesmo Cristo do qual aquele povo clamava e anunciava como salvador,  dizendo "Hosana", foi o Cristo do qual na sexta feira seguinte, no dia da sua paixão, haveria de ser condenado pelo mesmo público.

O aspecto salvifico da obra redentora de Cristo precisa nos afetar em todas as esferas da nossa existência. O senhorio e o reinado do Messias acompanham a perspectiva da salvação, transformando toda a nossa existência, pois ao clamarmos "Salva-nos" sem o comprometimento devido com o seu Reino, nos tornamos semelhantes àqueles que clamam, mas que não O reconhecem.

A intenção é trazer uma importância histórica dessa trajetória, para podermos compreender todos os aspectos que impactam diretamente em nosso comportamento cotidiano, livrando-nos de nós mesmos no sentido de buscarmos uma celebração somente pela salvação oferecida absolutamente de graça, mas sem a devida observância dos estatutos e juízos do Rei que inaugurou seu Reino, subjugando o poder da morte e da perdição eterna. O Messias prometido nos oferece todos os benefícios de sermos co-participantes da sua glória, mas nos convida também a carregarmos nossa cruz em obediência e fidelidade inegociáveis.

Reconhecê-lo como de fato Ele é, nos fará preparados para qualquer situação das nossas vidas seja ela a mais terrível que possa parecer. Nos alegramos em reconhecer que o castigo que hoje nos traz a paz, estava sobre Ele, por isso continuamos a clamar Hosana pois somos carentes da sua graça e misericórdia todos os dias da nossa existência aqui nessa terra.

Finalmente, o relato histórico afeta todo o nosso presente e nos leva à esperança escatológica. Pois o mesmo que cumpriu tudo que havia sido dito à Seu respeito, não deixará de cumprir aquilo que Ele mesmo prometeu. Guardemos o firme fundamento da nossa fé, depositando confiança na história e na revelação de quem Ele é para nós!

Religião

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