[ editar artigo]

Como enfrentar as compulsões

Como enfrentar as compulsões

Com certeza, todos nós temos defeitos, compulsões e desejos que precisamos controlar. Mas, por que carregamos esse fardo por tanto tempo, às vezes pela vida toda, sem conseguir vencê-los?

Claro que aqui precisamos, antes de mais nada, tratar do querer vencer esses males. É o primeiro passo, querer e se sujeitar. Mas isso, claro, após identificar que isso é algo ruim, algo errado. Ficar pensando “eu sou assim”, “Deus me fez assim”, ou “esse sou eu,  não vou mudar, porque é de mim”, não ajuda em nada. Se é assim que você pensa, sugiro que não continue a leitura.

Todos  temos compulsões, e um grande erro é focar no vício, no pecado em si, e não no que o está ocasionando. O que o faz cair no erro de se entregar às suas compulsões da carne? Para tratarmos determinado problema, precisamos descobrir sua causa.

Segundo o dicionário da língua portuguesa, compulsão quer dizer: "Exigência interna que faz com que o indivíduo seja levado a realizar certa coisa, a agir de determinada forma”, etc.

Compulsão, algo que vem de dentro, algo que queremos, desejo, vontade.  Mas, o que pode estar causando tudo isso? Alguns gatilhos são: ansiedade, depressão, raiva, desânimo, traumas, mágoas, falta de perdão, entre outras coisas.

Às vezes, é muito difícil conseguir descobrir qual (ou quais) desses fatores estão dando início a nossas compulsões. Para descobrirmos, não podemos ficar com vergonha de pedir ajuda, inclusive, de um psicólogo, quem sabe. Pois, você verá que sempre quando cai no mesmo erro, está passando pela mesma situação emocional, ou seja, sempre que está ansioso, você come ou dorme demasiadamente, por exemplo. Ou então, sempre que está triste, se isola ou omite o sentimento de tristeza das pessoas em redor.

Isso ajuda bastante a entender o que estamos passando, mas que não precisamos cair na tentação de tentar descobrir a causa, e, sim, trabalhar com as ocasiões em que já erramos, para ver como estávamos naquele momento: ansiosos, tristes, com raiva, desanimados, etc.

 

"Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça..."

Descobrindo o gatilho, podemos entrar na oração, buscando em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça.

Quando deixamos de lado aquilo que nos atormenta, que nos faz cair, e buscamos em primeiro lugar o Seu reino, tudo mais será cuidado e ordenado pelo Pai.

Buscar em primeiro lugar o Seu Reino nos remete, e muito, à oração que nos foi ensinada por Jesus, o “Pai nosso”. Na oração, ele nos ensina a pedir por nós? Sim, com certeza:  "O pão nosso de cada dia nos da hoje". Mas, a oração do “Pai nosso” começa dessa forma, egoísta, só pensando em nós mesmos, ou Jesus, antes de tudo, nos ensinou a orar, clamando: "Santificado seja o Teu nome, venha o Teu reino, seja feita a Tua vontade”?

 

Veja a compulsão, identifique o seu gatilho, mas, antes de tudo, antes de pedir por você, clame pelo Seu reino e pela Sua justiça, e as demais coisas serão acrescentadas.

 

Essa oração deveria, mais do que nunca, ser a nossa oração, fazer mais sentido, devido ao momento em que o mundo passa:  lojas, empresas, quase tudo fechado por causa de uma pandemia que já nos aflige há mais de um ano.

Mateus 6:25-34 diz:

“Por isso eu digo a vocês: não se preocupem com a comida e com a bebida que precisam para viver nem com a roupa que precisam para se vestir. Afinal, será que a vida não é mais importante do que a comida? E será que o corpo não é mais importante do que as roupas?   Vejam os passarinhos que voam pelo céu: eles não semeiam, não colhem, nem guardam comida em depósitos. No entanto, o Pai de vocês, que está no céu, dá de comer a eles. Será que vocês não valem muito mais do que os passarinhos?   E nenhum de vocês pode encompridar a sua vida, por mais que se preocupe com isso.

 E por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem as flores do campo: elas não trabalham, nem fazem roupas para si mesmas.   Mas eu afirmo a vocês que nem mesmo Salomão, sendo tão rico, usava roupas tão bonitas como essas flores.    É Deus quem veste a erva do campo, que hoje dá flor e amanhã desaparece, queimada no forno. Então é claro que ele vestirá também vocês, que têm uma fé tão pequena!   Portanto, não fiquem preocupados, perguntando: “Onde é que vamos arranjar comida?” ou “Onde é que vamos arranjar bebida?” ou “Onde é que vamos arranjar roupas?”   Pois os pagãos é que estão sempre procurando essas coisas. O Pai de vocês, que está no céu, sabe que vocês precisam de tudo isso.   Portanto, ponham em primeiro lugar na sua vida o Reino de Deus e aquilo que Deus quer, e ele lhes dará todas essas coisas.   Por isso, não fiquem preocupados com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã trará as suas próprias preocupações. Para cada dia bastam as suas próprias dificuldades.”

 

Busque o Seu Reino... Santificado seja o Teu nome, Venha o Teu Reino...

Passagens diferentes ensinando a mesma coisa: busque o Reino antes das suas próprias vontades ou curas.

Descobrindo o gatilho, o que tem dado “start” em nossas compulsões, precisamos saber lidar com eles, mas cientes de que enfrentaremos mais dificuldades pela frente. Afinal, não é fácil acabar com velhos costumes e manias, retirar raízes para poder matar uma erva daninha.

Mateus 18:8-9 diz:

“Se uma das suas mãos ou um dos seus pés faz com que você peque, corte-o e jogue fora! Pois é melhor você entrar na vida eterna sem uma das mãos ou sem um dos pés do que ter as duas mãos e os dois pés e ser jogado no fogo eterno.    Se um dos seus olhos faz com que você peque, arranque-o e jogue fora! Pois é melhor você entrar na vida eterna com um olho só do que ter os dois e ser jogado no fogo do inferno.”

 

Se a causa do problema não for tirada, dificilmente você conseguirá largar essa compulsão, e retirar essa raiz não é nada fácil.

 

Muitas vezes, não estaremos confiantes de conseguirmos fazer isso, largar velhos hábitos, arrancar raízes muitas vezes enormes e bem fixas. Mas isso, por não confiarmos na pessoa correta, já que pensamos sermos ou não capazes de vencer.

Se temos um Pai, por que não confiamos nele? Um filho deve sempre confiar no seu Pai, e ter certeza que, por mais profunda que uma raiz seja, ela pode ser arrancada.

Em Rm 8:35-39 diz:

“Então quem pode nos separar do amor de Cristo? Serão os sofrimentos, as dificuldades, a perseguição, a fome, a pobreza, o perigo ou a morte? Como dizem as Escrituras Sagradas: Por causa de ti, estamos em perigo de morte o dia inteiro; somos tratados como ovelhas que vão para o matadouro. Em todas essas situações, temos a vitória completa por meio daquele que nos amou. Pois eu tenho a certeza de que nada pode nos separar do amor de Deus: nem a morte, nem a vida; nem os anjos, nem outras autoridades ou poderes celestiais; nem o presente, nem o futuro;   nem o mundo lá de cima, nem o mundo lá de baixo. Em todo o Universo não há nada que possa nos separar do amor de Deus, que é nosso por meio de Cristo Jesus, o nosso Senhor.”

Vejam, o texto diz que podemos vencer, que somos mais que vencedores, como diz aquele velho chavão gospel: “somos mais que vencedores”.  Sim, com certeza, quando não estamos separados do Seu amor.

Além de vermos nesse texto, outra vez, a palavra nos trazendo algo para os dias de hoje, – pandemia, economia e saúde em colapso – ele nos traz uma resposta de como superar nossas compulsões e arrancarmos tudo aquilo que nos leva a cometê-las: não se separar do amor de Deus.

As compulsões e seus gatilhos, tudo isso nos afasta de Deus, do seu amor. Por isso, precisamos pedir pelo seu Reino, pedir pelo Seu amor, pedir para que, por mais dolorido que seja, a mão que me faz pecar, ou o olho, ou o pé que me fazem cair sejam retirados.

O Pai que deu Seu próprio filho por nós, nos dará pedra quando pedimos pão? Esse Pai, após clamarmos pelo seu Reino, pela Sua vontade, pelo Seu amor, não nos ajudará a arrancar as fortes raízes da ansiedade, amargura, tristeza, falta de perdão, e outros males?

Em Romanos, Paulo fala o quão forte é a luta interior que travamos conosco mesmo, mostrando que, infelizmente, temos a tendência de querer fazer o mal, mesmo sabendo ser errado, e que a lei divina condena essa atitude.

Romanos 7:15-15 diz:

“Eu não entendo o que faço, pois não faço o que gostaria de fazer. Pelo contrário, faço justamente aquilo que odeio.  Se faço o que não quero, isso prova que reconheço que a lei diz o que é certo.   E isso mostra que, de fato, já não sou eu quem faz isso, mas o pecado que vive em mim é que faz.   Pois eu sei que aquilo que é bom não vive em mim, isto é, na minha natureza humana. Porque, mesmo tendo dentro de mim a vontade de fazer o bem, eu não consigo fazê-lo.   Pois não faço o bem que quero, mas justamente o mal que não quero fazer é que eu faço.   Mas, se faço o que não quero, já não sou eu quem faz isso, mas o pecado que vive em mim é que faz.

 Assim eu sei que o que acontece comigo é isto: quando quero fazer o que é bom, só consigo fazer o que é mau.   Dentro de mim eu sei que gosto da lei de Deus.   Mas vejo uma lei diferente agindo naquilo que faço, uma lei que luta contra aquela que a minha mente aprova. Ela me torna prisioneiro da lei do pecado que age no meu corpo.   Como sou infeliz! Quem me livrará deste corpo que me leva para a morte?   Que Deus seja louvado, pois ele fará isso por meio do nosso Senhor Jesus Cristo!

Portanto, esta é a minha situação: no meu pensamento eu sirvo à lei de Deus, mas na prática sirvo à lei do pecado.”

Somos, por natureza, predispostos a fazer o mal, a declinar do bem, mesmo sabendo o que é certo e o que é errado. Mesmo tendo em nós uma natureza pecaminosa, podemos clamar pelo Reino de Deus, Sua vontade e Seu amor. Contudo, é necessário tomar atitude para vencer as compulsões, e ficarmos longe delas e de suas causas.
 

Hábitos, pessoas e lugares

Existem três coisas que podem nos fazer cair nas compulsões, nos erros e nos afastar do amor de Deus: hábitos, pessoas e lugares.
Salmos 1:1-2 diz:

“Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.  Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.”

Paulo, em Romanos, fala que sabemos qual a lei certa e a errada, a lei Divina e a lei do pecado, mas, mesmo conhecendo o certo, tendemos a fazer o errado.

Talvez estejamos fazendo o errado, afastados do amor de Deus pelos três fatores, as influências citadas no texto de Salmos: hábitos, pessoas e lugares.

Não “andar no conselho dos ímpios” significa que não devemos andar com pessoas que nos levam a cometer nossos vícios, já que fica muito difícil abandonar erros, se andarmos com pessoas que os cometem. Deter-se “no caminho dos pecadores” significa ter as mesmas condutas dos pecadores. Se agirmos como eles, não seremos bem-aventurados. Sentarmos “na roda dos escarnecedores” é permanecer em lugares onde um vício é alimentado. E assim,  fica muito mais difícil de largá-lo.

No texto de Salmos, temos duas opções determinantes na tentativa de nos afastarmos das nossas compulsões: dizer “não”, ou dizer “sim”. A essa altura, você já deve saber qual delas é bem-sucedida.

 

Precisamos dizer “não” a pessoas que nos levam ao vício,  a velhos hábitos e a lugares onde essas compulsões podem acontecer. Devemos dizer “sim” para o prazer que está na lei do Senhor.

 

Essa escolha, a de dizer “sim” ou “não” para certas coisas que nos aproximam ou afastam de Deus, e que nos fazem cair nos mesmos vícios, são escolhas pessoais nossas. Jamais podemos culpar a Deus, por nada. Pois, nossas escolhas são intencionais e voluntárias.

Sim e não, direita e esquerda, é fácil fazer a escolha certa? Muitas vezes, infelizmente, não, pois fazemos escolhas em momentos de angústia, ansiedade, medo, etc. Antes de mais nada,  de escolher e de clamar por nós, precisamos clamar pelo Reino, pela Sua vontade, por Sua justiça, clamar pelo Seu amor.

Algo que devemos pensar em mudar, e mudar o mais rápido possível, são os nossos pensamentos. Precisamos ver a nossa mente como um campo de batalha, e nela está algo que pode definir se teremos vida ou morte espiritual. Por isso, precisamos de uma mudança de pensamento, uma metanoia.

Antes de falar mais sobre isso, achei muito interessante um dos significados da palavra metanoia. Podemos simplesmente defini-la como uma mudança de pensamento, mas no dicionário da língua portuguesa, metanoia é "mudança que resulta ou é motivada por algum tipo de arrependimento."

Para mudarmos nossa mente, nosso pensamento, temos que ter arrependimento, que significa mudança de direção, 180 graus, direção totalmente oposta àquela nos nos leva ao vício, às compulsões.

Um texto que dá uma direção e ajuda nesse sentido, é o de Romanos 12:2, que diz:

“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

Cultivar pensamentos que não estão de acordo com os pensamentos de Deus, com certeza, fará com que as nossas compulsões jamais sejam vencidas. Devemos manter os pensamentos nas coisas celestiais – como Paulo nos ensina: "Pensem nas coisas la do alto e não nas que são da terra" – pensar nas coisas que realmente nos fazem cumprir o nosso propósito, sem dar lugar aos pensamentos que nos conduzem aos vícios.

João 8:32 diz: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará."

Onde está a verdade? Na Palavra de Deus. Ela é a verdade, pois nos leva a Cristo e somente a verdade pode nos libertar. Portanto, leia a Palavra, sem que sobre tempo para que a mente busque alternativas não-sadias para acalmar a ansiedade, medo, etc.

Uma prática que precisamos exercer também é o domínio próprio. Nossa carne está apenas preocupada em saciar seus desejos e não se preocupa com nossa vida com Deus.

Gálatas 5:17 diz: 

“Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.”

Essa luta durará, talvez, nossa vida toda, pois é uma fraqueza que temos, uma área que temos que ter domínio próprio, entendendo que Deus não permitirá vir sobre nós provações que não possamos suportar. Sempre, sempre que o desejo vier, a tentação bater, saiba que ela foi permitida porque você tem plenas condições de vencê-la.

Quando Jesus orou no jardim do Getsêmani, seu suor se tornou gotas de sangue. Imagine o que Ele passou. Nossos desejos carnais não chegam nem aos pés desse sofrimento. Saiba que, quando a carne grita por seus desejos, Deus sempre envia um escape para que possamos passar pela compulsão. Ore, creia e avance.

Ser cheio do Espírito Santo é a principal arma que temos para nos livrar das compulsões. O que temos alimentado ultimamente? O Espírito ou a carne? Regra básica é que, quem for alimentado, vencerá, assim como diz em romanos: “se viver segundo a carne, se inclinará para a carne, mas se viver segundo o Espírito, se inclinará para o Espírito.”
 

Três inimigos que precisamos vencer: a carne, o mundo e Satanás

A carne, conseguimos vencer com jejum e oração, já que o jejum é ideal para discipliná-la. O inimigo da nossa alma, nós vencemos com a palavra de Deus, como diz em Mateus 4: “Nem só de pão viverá o homem, mas sim de toda palavra que procede da boca de Deus”. O mundo, nós vencemos amando a Deus acima de todas as coisas, já que nos será ofertado inúmeros “pratos de lentilha”. Mas, como amamos mais a Deus e estamos cheios do Espírito Santo, resistiremos.

Seja perseverante, não será fácil, e você não conseguirá sozinho. Contudo, é totalmente possível. Se não fosse, você não teria esse desafio pela frente.

Deus ama o pecador, mas abomina o pecado. Se você caiu, levante, peça ajuda e siga em frente.

Ninguém consegue nada sozinho.

Religião

MOB Collab
João Pedro Bini
João Pedro Bini Seguir

João Pedro Bini casado com Daniela Bini, são pai do Daniel e Isabella e tutore da Patrícia, irmã do João. Membro da Missão desde a sua fundação, serve no ministério pastoral auxiliando e discipulando membros da missão.

Ler conteúdo completo
Indicados para você