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As Chaves do Futuro

As Chaves do Futuro

Em em contexto de cegueira espiritual, disputa religiosa e paralisia missional, Deus está preparando um tipo de gente específica, que irá responder de maneira adequada as principais demandas globais do presente e do futuro.

 

Introdução

O mundo está mudando, e com isso, os "novos normais" estão fazendo parte da rotina do homem pós-moderno. Os novos modelos de relações de consumo estão impulsionando mudanças nas relações de trabalho e, desta forma, dando origem à novas plataformas que estão transformando o presente e pavimentando o futuro da sociedade. Neste vácuo, vemos a igreja contemporânea tentando se adequar as transformações tecnológicas da sociedade.

Além disto, na tentativa de responder aos anseios do homem, a igreja tem flertado mais com a cultura pós-moderna, do que se posicionado através da contracultura fundamentada na cosmovisão cristã. Centrada em sua agenda particular, a igreja ao invés de ser uma transformadora das culturas e pioneira em soluções globais, tem recorrido mais as "armas carnais" para ampliar seu espaço de atuação pública nas cidades, do que se desenvolvido no uso das "armas espirituais", as quais tem na Autoridade da Pessoa de Cristo, sua origem e dinâmica de operação.

Acredito que estamos sendo chamados à uma profunda revisão do nosso entendimento sobre o fundamento da Igreja, que é a revelação de Cristo como o Filho do Deus Vivo, do poder da Sua Obra Redentiva e da autoridade do Seu Nome. Em outras palavras, devemos viver a experiência transformadora de reposicionarmos nossa vida sob o Senhorio Soberano de Cristo. Como afirma Charles Swindoll, é hora de termos coragem para dizer: "Senhor, não tome partido, apenas tome o controle".

Dentro desta perspectiva, é primordial que tenhamos uma consciência profunda sobre as chaves do futuro (chaves do reino dos céus). É preciso discernir sobre o que devemos desenvolver no presente, como devemos nos mover na sociedade, quais causas devemos abraçar e quais Palavras devemos cumprir e liberar sobre a futura geração. Por isso, acredito que três eixos devem ser observados, estudados e desenvolvidos pela Igreja na próxima década: Discernir a Agenda de Deus, Compreender a Ordem do Seu Reino, e Corresponder ao Movimento de Deus na História.

Na medida em que entendermos a dinâmica dos dias de Noé, e assumirmos nossa responsabilidade para com a Eterna História de Deus, teremos maior amplitude e eficácia em nosso trabalho de transformar estruturas no presente, e assim, pavimentar o caminho para operação da última geração, que juntamente com o Espírito de Deus, irá clamar dos quatro cantos da terra dizendo: "Vem Senhor Yeshua!".

 

Discernir os Tempos de Transição

Cada vez que você entra em concordância com o céu e expressa a vontade do Pai na terra, o tempo e o plano eterno de Deus trazem uma nova sequencia e alinhamento para a terra. - Chuck Pierce

A palavra transição significa se mover para uma nova etapa, ou para uma nova fase. É também, o percurso de uma estação onde estamos sendo moldados pelo Senhor, para uma estação onde devemos prosseguir em continua mudança, seja de um lugar, de um estado ou de uma condição. Os homens da tribo de Issacar que se aproximaram de Davi em Ziclague (1Cr 12.32), eram experimentados na arte de discernir os tempos, ou seja, compreendiam as transições e tinham entendimento de como Israel deveria responder a elas.

Descobrimos que, em transição, existem muitas coisas que continuam (e são permitidas pelo Senhor para continuarem) embora seu "prazo de validade" tenha expirado a muito tempo (...) O foco do Senhor aponta para o que está se levantando, não sobre o que está se passando. A questão verdadeira não é acabar com Saul, mas aprontar Davi. - Martin Scott.

A compreensão de que o papel do serviço profético é discernir os tempos, mobilizar intercessão e expansão da palavra profética, bem como, mobilizar e treinar pessoas para empreenderem ações em conformidade com a nova estação, é um resgate importante em nossos dias. Vemos este modelo de atuação profética, como uma chave para o avanço corporativo de acordo com a Agenda de Deus, tanto nos dias de Esdras, Neemias e Zorobabel (Ed 6.14), quanto na inauguração da expansão da igreja entre os gentios nos dias de Paulo e Barnabé (At 13.1).

Porém, nos tempos de transição, estamos diante do perigo de sermos tentados a manipular situações a nosso favor, ao invés de nos movermos de maneira correta.  Ao invés de se mover no Espírito da Verdade, podemos nos mover no espírito do engano, que encontra em pessoas proféticas com corações não resolvidos, uma plataforma de sedução e deturpação daquilo que o Espírito está gerando e comunicando. No tempo de transição as coisas que substituem Deus em nossa vida são abaladas. Certezas devem ser deixadas e fortalezas que criamos, a quais nos impedem de conhecermos a Deus, devem ser derrubadas. Por isso, todo momento de transição revela a verdade sobre a profundidade de nossa fé, porque na verdade, na transição não há neutralidade.

Acredito ainda, que neste tempo, devemos ter uma atenção especial ao verbo SINCRONIZAR. Este verbo significa tornar simultâneo, ou coisas que estão acontecendo ao mesmo tempo. Neste ponto, olhando de uma perspectiva mais ampla, a expressão "seja feita sua Vontade, na terra como é no céu", não trata apenas de atividades segundo um modelo do céu, mas de um alinhamento do tempo, onde as coisas nos céus acontecem simultaneamente na terra. A experiência do Apóstolo João retratada no livro do Apocalipse nos traz um vislumbre da intensidade e sincronicidade dos últimos dias. Tim Hegg afirma que:

"Deus habita entre aqueles que O colocam em primeiro lugar - que desejam a sua presença acima de tudo o mais (bens e tempo). Uma coisa é sacrificar e se preparar para a presença do Senhor, e outra coisa é se comprometer a seguir a presença de Deus para onde quer que ela nos guie"

Portanto, como respondemos ao tempo de transição, define o quanto preparados para operar no futuro. Se permanecemos no lugar que já conhecemos, não estaremos prontos para responder as exigências da estação que chegou. Veja o o exemplo do funcionamento simultâneo do tabernáculo de Moisés em Gibeom (1Cr 21.29), e o funcionamento do tabernáculo de Davi, onde a Arca estava estabelecida.

Vale ressaltar, que na perspectiva da terra, o tempo linear é medido de maneira progressiva a partir de um dia de referência, o qual dá inicio ao calendário cronológico. Na perspectiva dos céus, o tempo cíclico é medido de maneira regressiva, onde a referência é o Dia do Senhor, definido na Eternidade. Esta sincronicidade conecta o Chronos ao Kairós de Deus, ou seja, ao momento oportuno do Senhor agir.

 

O Novo Tempo nos Coloca Diante de uma Nova Ordem

O jovem Daniel assumiu um novo papel na Babilônia, a partir de sua postura profética.

"Bendito seja o nome de Deus desde a eternidade passada a eternidade futura! Pois sabedoria e o poder lhe pertencem de forma exclusiva; ele traz mudanças de estações e tempos; instala reis e os depõe; ele dá sabedoria aos sábios e conhecimento àqueles que tem discernimento. Ele revela coisas profundas e secretas; conhece o que jaz na escuridão; e a luz habita com ele. Eu te agradeço e louvo, Deus de meus antepassados, por me dares sabedoria e poder, e revelares o que te pedimos, para darmos a resposta ao rei". - Dn 2.20-23

"No primeiro ano de Dario, o filho de Assuero, um medo de nascimento, feito rei sobre os caldeus, no primeiro ano de seu reino, eu Daniel, estava lendo as Escrituras e pensando sobre o numero de anos que Adonai disse a Jeremias - 70 anos. Eu me voltei para o Senhor Deus, a fim de encontrar resposta, implorando a ele com oração, jejum, pano de saco e cinzas. Orei a Adonai, meu Deus, e fiz esta confissão: (...) Por causa do teu nome!"- Dn 9

Daniel passou por vários períodos de transição. Formado e aprovado com louvor na Escola da Babilônia, foi elevado por Deus ao posto de Primeiro Ministro do Império Babilônico, por causa do seu comprometimento com o que Deus estava desenvolvendo na história global da humanidade. Sua atuação profética não se resumiu as revelações que recebia, mas à sua postura de intervenção intercessora diante de tudo o que via e ouvia. Acreditamos que este tipo de postura ativa e responsiva, é que legitíma à atuação da Igreja nas estruturas sociais das cidades no mundo todo.

Semelhantemente, em seus dias, Maria de Betânia, abriu mão de uma agenda socialmente conveniente, para responder a agenda profética do Reino de Deus.

O que devemos perder, para acessar o que nunca nos será tirado? Maria humildemente valorizou a honra ao Cristo que estava em evidência, enquanto Marta, a atividade que a colocava em evidência diante de Cristo. Marta ocupou seu dia com suas atividades, que a mantinham agitada e distraída. Maria viveu a liberdade do momento oportuno, quando Deus veio visitá-la. Priorizou a Agenda de Deus e o relacionamento com o Cristo, ao invés de focar na realização de coisas infrutíferas para o Cristo (Lc 10.38-42).

Já em Mc 14.3-10, vemos Maria criando uma nova medida de valor para o vaso de alabastro. Para homens materialistas, o que deveria atender a uma necessidade temporal e social, para uma mulher profética foi usado para honrar a vida de Cristo e levantar um testemunho de Sua Obra. Por isso, sem nenhuma reserva investiu tudo o que tinha na missão de Deus. Maria se comprometeu com a Agenda de Deus, por isso, agiu estrategicamente antecipando o que já estava designado para acontecer. Isto foi ofensivo para Judas, que imediatamente, abriu mão do relacionamento com o Senhor de todas as coisas, para poder ter para si todas as coisas que desejava. Maria entregou o que tinha de valor por causa da profundidade do seu relacionamento com o Cristo. Ela realizou uma obra temporal que se tornou um memorial para a igreja de todos os tempos - Mc 14.3-10

Estes exemplos nos mostram pessoas comuns que agiram em justiça. Enquanto 1Co 2.6-8 nos revela uma sabedoria que traz ordem antes do principio das eras, Emerson Dias afirma que:

"Fala-se de uma imagem de linha de prumo em Am 7:8, comparando os israelitas com uma parede fora da linha. A desalinhação caracteriza a injustiça, a vida distorcida e em desacordo com a dinâmica pretendida (...) Como veremos, a "justiça" fala como a solução e não como o problema. A justiça tem a ver com a vida, não com o julgamento. Faça justiça e viva, faça injustiça e enfrente o julgamento."

O profeta Isaías também nos apresenta o prumo como um referencial de análise do nosso alinhamento a vontade do Senhor e nosso comprometimento para que esta vontade seja manifestada em todas as coisas e em todas as esferas da vida.

Por isso declara Yahweh, o Eterno: “Eis que coloco em Tsión, Sião uma pedra, uma rocha já experimentada, uma preciosa pedra angular para estabelecer um alicerce verdadeiro e seguro; nela está escrito: “Quem crer em mim jamais será abalado!” - Estabelecerei o direito como lei e a justiça como o fio de prumo. Contudo, quanto ao refúgio da mentira, o granizo o varrerá, e o seu esconderijo, as muitas águas o submergirão! - Is 28.16-17

 

A Ordem do Reino nos Impulsiona para Respondermos de Maneira Adequada ao Movimento do Deus do Reino

Em um ambiente de cegueira espiritual, disputa religiosa e paralisia missional, a mulher Samaritana respondeu a agenda profética da missão apostólica do Reino.

Deus conhece nosso tempo e lugar. Ele determinou o horizonte deles. Quando você está no lugar certo na hora certa, Ele estende o seu horizonte de tal forma que você possa ver bem mais adiante no futuro.  - Chuck Pierce

No cotidiano da vida comum, esta mulher estava diante do tempo oportuno da Agenda de Deus para todas as nações. Enquanto homens religiosos discutiam sobre o aspecto cerimonial do batismo, uma mulher estava sendo imergida na realidade do Reino. Esta mulher se tornou uma voz profética e uma mulher fonte para uma cidade. Enquanto os discípulos permaneceram no lugar de discussão improdutiva, se desconectaram da percepção clara sobre o que Deus estava movendo, e o tipo de gente que estava disposta a responder a mensagem do Reino.

O paradoxo da mulher samaritana, chama nossa atenção para o fato de que, aqueles que pensam apenas em seus guetos, em algum momento se envolverão em discussões infrutíferas. As pessoas de Samaria representavam uma multidão de etnias históricas entrelaçadas. É muito mais fácil nos manter aprisionados ao nosso status quo, porém, é libertador abrir espaço para a multidão de povos do mundo de Deus, pois é na interação com as culturas que precisam ser redimidas, que nós somos salvos de uma vida improdutiva e medíocre.

Vivemos dias onde muitas pessoas buscam ser relevantes para serem lembrados na história, mas o reino está se movendo entre aqueles que são a herança daquele que está escrevendo a Sua própria História. Este é um conceito maravilhoso de futuro. O futuro está ligado à geração que virá. 

"Deixe vir a mim as crianças, porque delas é o Reino - (Mc 10.14)"

O que virá já pertence à aqueles que já são. Por isso, o que temos priorizado a respeito da vida de nossos filhos? Estamos usando-os para satisfazer nossos vazios existenciais, ou estamos ensinando-os no caminho que devem andar, nos comprometendo com esse caminho, na medida que preparamos todas as coisas para que eles possam  cumprir a missão da sua existência?

No eixo do movimento, um instrumento de medida importante é o cordel, que serve como parâmetro de um caminho de retidãom em um processo de desenvolvimento da integridade relacional com o Senhor. (Ez 47.1-5). Nesta perspectiva de interação glorificante entre Deus e o Homem há uma estação de imersão em um novo nível de operação, o que podemos chamar de frutos. Estes promovem a vida de Deus, ordenam estruturas e liberam um tempo de avanço pleno da realidade do Reino no meio das famílias (Ez 47.6-12).

 

Conclusão

Na interação entre Deus e o homem nascem frutos. Estes frutos testificam da Vida de Deus, elevam o nome de Cristo, e promovem um testemunho na cidade. Precisamos considerar atentamente que estamos vivendo dias, onde o Senhor tem estendido o Seu prumo para revelar o que precisa ser alinhado. Bem como, tem esticado o Seu cordel, colocando diante de nós uma nova medida que precisa ser alcançada. Para quem cultiva um coração quebrantado, esta "auditoria" trará ampliação da manifestação da vida de Deus. Porém para outros, trará juízo por causa da vaidade do coração e de suas obras infrutíferas (Is 34.11).

Como igreja, devemos seguir ansiando pelo dia em que todos os povos estarão diante de Cristo para sempre, cantando todos a mesma canção em suas múltiplas formas de expressão. Orar e ir em direção aos povos, observar nas ruas das  cidades os povos que Deus ama, e ser luz para aqueles que estão feridos à margem do Caminho, deve ser a missão prioritária da agenda de todo cristão no presente e no porvir.

Seguimos juntos!

Assista a ministração desta mensagem

 

Religião

MOB Collab
Marcelo Souza
Marcelo Souza Seguir

Natural de Curitiba, é casado com Zélia e pai da Júlia. Pastor na Missão Mobilização, Founder da Illumine, Presidente da Acridas, mentor e conselheiro de empresários e líderes nas áreas corporativa, pública e eclesiástica.

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