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Você está Avançando ou Retrocedendo?

Você está Avançando ou Retrocedendo?

Todos nós já chegamos a resoluções importantes na vida familiar. Todos nós já tomamos decisões difíceis na vida conjugal. Por isso, nosso ponto de reflexão hoje, não é sobre encontrarmos justificativas para as decisões tomadas, mas encontrarmos o caminho para que tenhamos resoluções sábias, e possamos experimentar um novo ciclo de benção para nossas famílias.

 

CUIDADO COM AS RESOLUÇÕES DO SEU CORAÇÃO OBSTINADO

Quando pensamos em resoluções sobre o casamento e família, lembramos dos religiosos fariseus perguntando para Jesus: É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo?  Como um bom sábio, Jesus respondeu essa pergunta com outra pergunta, porque quem tinha problemas com questões concernentes ao casamento eram as pessoas e não Jesus. A resposta de Jesus tem como ponto de referência o homem ou Deus, o princípio ou o momento, o que é, ou o que se tornou, o modelo original ou o caído? Jesus tratou o assunto a partir de que perspectiva (Ponto de Vista)?

A partir do ponto de vista de Deus, da perspectiva original. Jesus, não se posiciona quanto a nenhuma das escolas da tradição oral, e procura resgatar o princípio original escandalosamente objetivo e concreto. Jesus disse:

“Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando- se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne” (Mateus 19:3).

Jesus leva-os ao princípio, a origem de tudo, porque pensar a família a partir do princípio nos faz compreender seu propósito. A palavra “Princípio” aparece duas vezes nesse texto, porque a resposta para essa questão pode estar no caminho de volta ao princípio, onde encontraremos o sentido e o modelo original de todas as coisas, criadas e ordenadas pela Palavra do próprio Deus. Parece-nos que a questão não é o que Deus disse, mas como os rabinos interpretavam a palavra de Deus. Assim como em nossos dias, muitos procuram escolas interpretativas que possam respaldar suas resoluções. Os fariseus são remanescentes da escola rabínica de “Shamai”, representante da escola mais restrita quanto a interpretação da lei, diferente da escola rabínica de “Hilel”, que era conhecida por ser mais liberal. Este era o ambiente que se vivia no tempo do Senhor Jesus, e pelo que parece, eles queriam saber qual era a escola rabínica de Jesus.

 

AS RESOLUÇÕES PESSOAIS E O MANDAMENTO DIVINO

Observe que quando Jesus é questionado sobre as resoluções que eram tomadas diante dos problemas matrimoniais, as pessoas não estavam tratando de momentos de crise conjugal, estavam falando sobre as decisões que eram tomadas por causa dos problemas conjugais. Da mesma forma hoje, existem alguns que estão passando por momentos de crise, enquanto outros estão vivendo o momento de resoluções que terão sérias implicações no futuro da sua família. O fato é que quando alguém toma uma decisão importante como essa, é claro que não quer estar errado, é claro que vai procurar respaldo para estar certo, se sentirem melhores, se verem como pessoas corretas e justas.

Mas será que quando chegamos a essas resoluções estamos abertos para ouvir Deus? Ou será que esperamos ser apoiados por alguém, que de preferência seja Deus? Como Jesus vai sair dessa situação? Jesus mostra claramente que não tem compromisso nenhum com a expectativa das pessoas, nem por um momento pensa em apoiar suas decisões, ou alguma tradição rabínica, porque seu compromisso é com a palavra de Deus, com o caráter santo de Deus, revelado em seus mandamentos que ordenam perfeitamente o funcionamento da instituição familiar.

Jesus confirma que a salvação é o compromisso de Deus em manter a salvo o seu propósito eterno. Por isso, ao invés de responder apoiando a decisão daqueles que o questionam, Jesus perguntou se eles não sabiam o que Deus disse no princípio, antes da queda e da corrupção da natureza humana. Jesus chamou a atenção de todos para o propósito original no princípio de tudo. A primeira grande lição é: Tire os olhos do seu momento, e volte-se para o princípio, para que possa compreender todo o propósito de Deus para a família.

 

QUANDO O QUE JESUS DIZ NÃO É O QUE EU QUERO OUVIR....

E, aproximando-se alguns fariseus, o experimentaram, perguntando-lhe: É lícito ao marido repudiar sua mulher? Ele lhes respondeu: Que vos ordenou Moisés? Tornaram eles: Moisés permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar. Mas Jesus lhes disse: Por causa da dureza do vosso coração, ele vos deixou escrito esse mandamento; porém, desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, deixará o homem a seu pai e mãe [e unir-se-á a sua mulher], e, com sua mulher, serão os dois uma só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem. Em casa, voltaram os discípulos a interrogá-lo sobre este assunto. E ele lhes disse: Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela. E, se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério (Marcos 10:2-12).

Voltando ao texto, as pessoas aceitaram a resposta de Jesus? Claro que não, porque pessoas decididas sempre vão lutar pela sua razão, sempre vão criar argumentos para defender sua posição e justificar suas escolhas. Os religiosos não aceitaram a resposta de Jesus e replicaram questionando: Por que mandou, então, Moisés dar carta de divórcio e repudiar?  Nesse momento aquelas pessoas tentam encurralar Jesus manipulando a própria palavra de Deus, para que Jesus falasse contra Moisés, colocando-o assim, contra a opinião popular. Isso mostra como o ser humano ainda segue as pegadas da serpente, manipulando a palavra de Deus para encontrar respaldo ao que já decidiram fazer e como querem fazer.

Contudo, sabemos que qualquer pessoa, pode manipular qualquer texto, como pretexto para justificar fazer qualquer coisa. Lembre-se de Caim, que mesmo ouvindo Deus, fez o que estava decidido em seu coração ressentido, ele não teve domínio sobre os impulsos do seu ego ferido e criou o seu próprio código ético, para justificar sua resolução: Por acaso sou responsável pelo meu irmão? (Gênesis 4).

Muito parecido com o que acontece hoje, as pessoas criam questionamentos falaciosos para colocar a opinião pública contra os princípios éticos e morais das escrituras, como se fosse antiquada e inadequada para o tempo que vivemos, ganhando assim, apoio assim para suas resoluções passionais. Pessoas usam textos isolados envolvendo as quedas, fraquezas e situações envolvendo o que o ser humano se tornou, a fim de validar suas resoluções, mas Jesus os lembra do que Deus falou no princípio a respeito do propósito original. Por isso, sempre que alguém manipula a palavra de Deus para justificar o que se tornou, devemos lembrar o que Deus criou o homem para ser, lembrar suas palavras criadoras e ordenadoras que foram ditas no princípio.

 

SE HOJE VOCÊ OUVIR A PALAVRA DE DEUS NÃO ENDUREÇA O SEU CORAÇÃO.

Qual foi a resposta de Jesus à réplica dos fariseus? Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio. (Mateus 19:3). Jesus está explicando que essas resoluções com relação ao matrimônio contrarias ao mandamento de Deus, foram aceitas nos dias de Moisés por causa da dureza dos seus coração, e não por obediência aos princípios de Deus.

Não trataremos especificamente sobre a questão do divórcio e novo casamento nesta lição, mas veremos que o caminho para esse tipo de resolução envolve endurecimento do coração.  Mas o que significa coração endurecido? Sabemos que o coração endurecido é incapaz de ouvir, porém, é importante entendermos que é incapaz de ouvir por causa da obstinação da sua própria vontade. Acreditar que nossos problemas matrimoniais têm a ver com o outro já é um sintoma de coração endurecido. Por isso, Jesus nos leva de volta ao princípio. Porque o mesmo princípio que revela como todas as coisas devem ser, também mostra onde e como todas as coisas se corromperam.

Voltar ao princípio é voltar-se a Deus e voltar-se a Deus é voltar-se ao outro. Lembre-se que a primeira geração perdeu a presença de Deus (Adão onde estás?), e a próxima geração perdeu a presença do outro (Caim onde está seu irmão?). Isso significa que à medida que endurecemos nosso coração com relação a Deus, também endurecemos nosso coração com relação ao outro, assim como, alguém incapaz de ouvir o outro, já deixou de ouvir Deus. Portanto, o ser humano mudou sua forma de ver o outro, quando já havia mudado a sua forma de ver Deus.

Segundo o profeta endurecer o coração é "Não dar ouvidos... Recusar-se a ouvir e não se lembrar das palavras de Deus”. Além disso, endureceram a sua cerviz, levantar sua cabeça e se rebelar contra Deus, assim procuraram o por líderes que fizessem o que eles queriam, com o propósito de voltarem para a sua servidão no Egito (Neemias 9:16 e 17). O coração endurecido rebela-se contra Deus, ou seja, coloca-se contra o que Ele diz por não conhecer quem Ele é, não confiar em sua palavra e não entender seu modo de agir como o melhor. O problema é que quando busco a Deus pela demanda da minha urgência, sem ter como prioridade conhecer seu caráter como expressão da sua vontade, essa relação tem características de idolatria.

 

AQUELE QUE É INCAPAZ DE OUVIR NÃO TEM LUZ PARA VER.

O mais interessante é que as pessoas que se posicionam contra Deus, geralmente parecem sofrer a dor de sentir Deus contra si, porque não conseguem ver nada além de si mesmos. Essa ira do homem proveniente do pecado original, leva-o a esconder-se, a procurar refúgio na autopreservação, por isso o homem ao invés de assumir responsabilidade por seu erro, procura livrar-se do sentimento de condenação diante de Deus e vergonha diante do outro, apontando culpados pelo seu fracasso.

Por isso, pessoas que se sentem condenadas justificam-se julgando, enquanto pessoas que reconhecem seu pecado, se arrependem e são perdoadas, por Deus são justificados. Muitas vezes, os problemas que acreditamos ter com o outro, na relação marido e mulher, pais e filhos, amigos e irmãos, podem ser reflexo da questão que todos os homens têm com Deus (Pecado Original). Então, ao invés de auto justificar-se, autoavalie-se, resolva-se com Deus, por meio de Jesus, para que, possa resolver-se com você mesmo, e assim, preserve o outro de ser afetado por seus problemas. Tenha paz com Deus, e tenha paz com todos.

O profeta Isaías declara que o "coração insensível, endurece os ouvidos, e fecha os olhos...”, confirmando que aquele que não consegue ouvir a palavra de Deus não tem luz para ver. O coração endurecido é aquele que se nega a ouvir, não tem clareza para ver e por isso tem dificuldade em reconhecer estar errado e aceitar ser corrigido. O profeta Jeremias confirma isso ao dizer: "Não atenderam, não inclinaram os ouvidos e endureceram a cerviz para não receberem disciplina” (Jeremias 17:23). Jesus confirma esse princípio ao explicar aos seus discípulos por que falava por meio de parábolas.

"Porque o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os ouvidos e fecharam os olhos; para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados (Mateus 13:15).

Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos. Salmos 119:105.

 

O CORAÇÃO ENDURECIDO É INCRÉDULO

Se hoje ouvirem sua voz não endureçam o coração como ocorreu na rebelião no deserto, que durante quarenta anos contemplaram suas obras, mas seu coração permaneceu desviado e não reconheceram seus caminhos. Essa geração murmuradora de coração endurecido pela incredulidade não entrou no seu descanso, no cumprimento da suas palavras, na realização das suas obras. Por isso, tenham cuidado para que esse coração endurecido pela incredulidade te afaste do Deus vivo (Hebreus 3:7-12).

Ouvir a voz de Deus por meio da sua palavra é o começo de Tudo. Segundo o autor da carta aos hebreus, não foi a palavra de Deus que falhou durante a peregrinação no deserto, mas a palavra não foi acompanhada de fé, e por isso não lhes valeu de nada. Lembre-se disso: Se a palavra não é acompanhada de fé, perde seu efeito (Hebreus 4:2). Mais uma lição que aprendemos é que: Quando perdemos a palavra nos perdemos. Porque os filhos de Israel não foram tirados do Egito para morrerem no deserto, mas por não crerem, morreram aos poucos por quarenta anos. Quando perdem a palavra tornam sobreviventes, vivendo sem propósito, esperando pela morte todos os dias.

Outra lição importante é que: “Incredulidade não é uma fraqueza, porque todo desvio do propósito de Deus é pecado”. Em dias de psicologização do pecado, justificando-o como fraqueza humana, é preciso entender que não crer é uma decisão, e se não cremos, além de nos desviarmos, ao invés de avançarmos retrocedemos. Fé é fidelidade a tudo que dele ouvimos. Qualquer coisa que façamos fora dessa fé é esforço sem propósito e compromete destino. Andar fora desse lugar de confiança é incredulidade altiva. Se o que fazemos não nos exige confiança, não tem fé, e o que não provém de fé é pecado.

Portanto, se no dia que se chama hoje ouvir a sua voz não endureça seu coração. Perder tempo é perder vida. Quando o autor da carta aos hebreus diz que devemos manter nossos olhos focados no autor e consumador da nossa fé, qualquer outro olhar é distração e desvio, porque foco determina realidade. A sabedoria de Deus pode parecer tolice para o incrédulo de coração endurecido que provoca a Deus colocando-o prova todo o tempo, porque são incapazes de conhecer os caminhos de Deus, nem o reconhecê-lo como Senhor do caminho, por isso erram todo o tempo, e permanecem longe, na maldade do próprio coração e o engano do pecado. Quando Jesus explica aos seus discípulos o significado da parábola do semeador, mostra claramente que o solo a beira do caminho, é o coração endurecido, obstinado, e ainda sujeito a atuação de demônios (Lucas 8:12), que roubam a semente que é a palavra do Reino de Deus. Isso significa que quando não ouvimos a voz de Deus por meio da sua palavra, somos confundidos por outras vozes e influências espirituais que nos impedem de ouvir Deus.

...o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. 2 Coríntios 4:4


CONCLUSÃO. SUA VIDA DEVE ANDAR PARA FRENTE E NÃO PARA TRÁS.

Qual seriam as consequências de ter um coração endurecido?

"Dai ouvidos à minha voz, e eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; andai em todo o caminho que eu vos ordeno, para que vos vá bem. Mas não deram ouvidos, nem atenderam, porém andaram nos seus próprios conselhos e na dureza do seu coração maligno; andaram para trás e não para diante". Jeremias 7:23

"Vós fizestes pior do que vossos pais; pois eis que cada um de vós anda segundo a dureza do seu coração maligno, para não me dar ouvidos a mim". Jeremias 16:12

A última grande lição a ser aprendida é que: procurar respaldo em Deus para as resoluções do nosso coração ferido pela ofensa e enganado pelo orgulho legalista, não mudará o fato da vida andar para trás e não para frente. Não devemos questionar o casamento como se o mandamento estivesse falhado, e agora Deus tem a obrigação de limpar toda a sujeira e salvar a família, mas lembre-se que você pode salvar seu casamento ordenando todas as coisas a partir das verdades fundamentais estabelecidas desde o princípio. A fé vem pelo ouvir. Guarde o que ouve. Pratique o que você crê. Pela fé somos salvos do passado para amar por inteiro no amor que vence o medo na viva esperança que vence a incredulidade e aguarda pelo grande encontro com Jesus.

"E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos. Este mandamento, como ouvistes desde o princípio, é que andeis nesse amor"... 2 João 1:6

 

Família

MOB Collab
Anderson Bomfim
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Natural de São Paulo, casado com Andrea Bomfim, Pai de Giovanna, Olívia e Pietra, Pastor na Igreja Local Mob em Curitiba-PR, Professor de Teologia na Plataforma Farol de EAD, Gestor da Mob Workspace de empreendedorismo missional e músico compositor.

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