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A Vida é Pedagógica.

A Vida é Pedagógica.

Sim, a vida é pedagógica! Em termos simplificados, pedagogia é o ato de ensinar sistematicamente, visando ao desenvolvimento, conhecimento e amadurecimento, ou organizar a estrutura para que este aprendizado aconteça.

A frase que encabeça este texto, sob a perspectiva que queremos abordar, é parecida com aquele velho conselho de mães ou avós: “Me obedeça agora, se não, a vida vai te ensinar”. Assim, a vida é pedagógica, mas sem uma sistematização, corre-se o risco de estes “ensinos” gerarem uma cultura de vida ruim, negativa, cansativa, desproposital e então, frustrante. Portanto, se a partir das pontuações que farei você se identificar com algo que não tem sido bom para sua vida, eis a oportunidade de parar, rever e se reorganizar. 

Estamos vivendo num contexto geral, que é histórico, desastroso, desafiador ao extremo. As atuais circunstâncias têm nos mostrado quem somos, como estamos, no que acertamos, no que falhamos e, com tudo isso, as consequências. Vou me ater, então, ao que tem sido mostrado, neste tempo, no âmbito educacional. 

Diante da obrigatoriedade de famílias terem que ficar dentro de casa e auxiliar os filhos nas atividades escolares, nos deparamos com novas e diversas situações. E fazendo uma leitura crítica/histórica, percebemos que, em um determinado tempo na história, o Estado se viu na necessidade de estabelecer uma nova Lei, visando aos direitos da criança e do adolescente através da Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente) e a readequar as necessidades educacionais através da LDB 9394/96 (Lei de Diretrizes e Base da Educação). E quando se trata de direito à Educação, estes documentos descrevem que: 

 "Educação é dever da família e do Estado ...tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando” (art. 2 LDB).

Assim, por ser lei, o Estado se posicionou e, mesmo sem a total estrutura, procurou cumprir seu papel. O que se percebe, neste momento, é o Estado “puxando” para si toda a responsabilidade, indo para um extremo que fugia da sequência lógica do próprio texto da lei (“...é dever da família”) e também dos princípios cristãos de responsabilidade familiar.

A família, contudo, também não se opôs a isso devido à demanda de trabalho e subsistência, e não parou para pensar a longo prazo. Além disso, da maioria desses pais, foi tirado “pedagogicamente” o senso de reflexão, excluindo do próprio currículo escolar, as disciplinas como Educação Moral e Cívica, OSPB (Organização Social e Política no Brasil) e outras que tiveram a carga horária letiva reduzida, como Filosofia, Artes, etc.

Ao mesmo tempo, o sistema gerou demanda e sobrecarregou o trabalhador de serviço e responsabilidades, o que me lembra o povo de Israel no Egito, e me parece se tratar da mesma estratégia. Também, houve influência das instituições religiosas, que, por “bondade” ao próximo, permitiram a terceirização da Educação dos filhos, atendendo separadamente as crianças nas escolinhas dominicais e catequeses. Esclareço, aqui, que não é que o ensinamento espiritual não deva ser dado, e nem desqualifico estas ações, das quais, pela graça de Deus, eu também usufruí. Contudo, a obrigação primária e fundamental é da família.

E assim, com a ascensão da tecnologia, das novas profissões, das doenças socioemocionais aumentando, com conquistas também na ciência, com ideologias políticas e as antigas demandas de inclusão, o tempo foi passando e chegamos, agora, no ápice de tudo isso, na “era COVID”. 

Não temos outro caminho, a não ser retornar aos princípios estruturais, onde a família insere a importância da educação e conhecimento na vida dos filhos, onde a família deve proteger, onde a família deve evangelizar a criança, onde a família deve educar os filhos. Porém, desaprendemos a fazer e ser o que devemos, de fato. Neste ponto, cito um livro que li recentemente: “A Abolição do Homem”, de C.S.Lewis, que entre outras percepções, uma delas é a crítica, de forma construtiva e bem inteligente, quanto à superficialidade nas intervenções educativas, tomando como exemplo a fala de um professor ao ensinar seu aluno.

E sim, os professores também sobrecarregados pelo sistema e sua demanda reprimida e oriundos, como pessoas de diversas situações, repercutem suas experiências de vida na sala de aula. Mas isto é assunto para outro texto. Valho-me do teor do livro, para pontuar que a responsabilidade primária em embutir princípios “não superficiais” nos filhos é dos pais, eles são as principais referências de vida. Esclareço ainda que, em momento algum, não foi pensado nas adversidades, nos desafios, nas condições financeiras, estruturais, geográficas, etc. Contudo, como uma educadora cristã, acredito - e espero que você também - que é possível, sim, voltar à responsabilidade original:

“Ensina a criança o caminho que deve seguir e mesmo quando ficar velha não se desviará dele” (Prov. 22:6).

Esta instrução não trata somente de conversão a Cristo, mas de princípios, e sendo princípio Eterno, é efetivo e eficaz, além de ser possível executá-lo. Tendo dito tudo isto, e para vosso consolo, coloco minhas sugestões práticas, a fim de amenizar o impacto que pode ser causado por este tempo de isolamento e/ou propor mudanças mentais e estruturais neste processo de aprendizagem de seu filho dentro de casa.

 

O ambivalente mandamento do amor

Quando penso em qualidade na educação, entendo que a qualidade de vida dos pais é fundamental, e a bíblia respalda isso quando, num dos mandamentos, ela diz: “Amai o próximo com a si mesmo”. Isto é bem simples, teoricamente, pai e mãe, pois, apesar da sequência da frase escrita, sua execução prática é: “Ame-se e serás capaz de amar”. Numa nuance bíblica, amar é um mandamento que se traduz no cuidar, no ensinar, no proteger, no presentear, no disciplinar. E não é sentimentalismo, emoção, egoísmo, amar deve ser natural e muitas das vezes se reflete de forma racional.

Portanto, pai e mãe, eu entendo e vejo que você, dentro deste contexto totalmente complicado, de ter que auxiliar o filho nas atividades e fazer várias outras coisas, tem enfrentado grandes desafios. Entendo você e que todo este estresse foi historicamente construído ante a nossa “passividade” e necessidade também, e aí a vida cotidiana foi “pedagógica”. E, considerando eu, o benefício ao seu filho e a uma geração, penso que a sequência para chegar a este objetivo é começar por você, e o que sugiro, e que talvez você já tenha ouvido muito é: cuide-se! Pare uns minutos só para você! Reabasteça-se! Alimente-se da Palavra! Permita-se ser cuidado também por um Pai perfeito, que conhece suas dores e pode curar a de todos que quiserem. Pare para se alongar, para ver TV, para ler, para fazer nada. Receba o “Eu te amo” do marido ou da esposa, do amigo, do familiar. Tome banho pensando em você e não no mundo lá fora. E quando você conseguir fazer isso, com certeza poderá se doar à orientação original, que é cuidar do seu filho ou filha.

Sim, eu sei que é muito diferente estar do outro lado, só analisando, pensando e orientando, jamais diminuirei seu esforço e desafio. Por isso, também quero deixar outras dicas práticas, que são processuais e executáveis. E, havendo disciplina, firmeza e fé em Deus,  ao final,  poderão ser pedagogicamente positivas. São elas:

Ao pai: seja o que temos ouvido muito no contexto cristão, um sacerdote. Lembre-se que a função do sacerdote é ordenar, organizar, estruturar, trazer e estabelecer princípios, através do amor que cuida, disciplina, ensina. Assim, sente-se com sua esposa e tracem um plano de melhoria visando à saúde integral da sua família. Com ela, delegue as funções e horários e o que mais achar importante dentro do seu contexto. Essa é uma tarefa que demanda disciplina diária, que trará erros, acertos, aprendizados, reorganização. Por vezes, terão que rever esse planejamento, mas, exercendo a responsabilidade que lhe é devida, conseguirá cumprir, e um dia as tarefas não serão mais terríveis, estressantes, desastrosas, mas, sim, prazerosas, saudáveis, agradáveis, mesmo tendo que ter empenho e trabalho (Efésios 5:25).

À mãe: após esse posicionamento do pai, se submeta, contenha sua pro atividade e percepção das coisas, se cale, ore para que o “cabeça” da casa, cujo “Cabeça” é Cristo, seja convencido pelo Espírito. Neste processo, pode ser que seu marido tenha que ser chacoalhado, constrangido e exortado por Cristo, mas deixe, confie no seu Pai Eterno, rompa com essa cultura terrena de super  mulher e seja uma mulher com toda sua força e delicadeza, com toda sua inteligência e vulnerabilidade, com toda sua garra e leveza (Efésios 5:22).

Mães solteiras: vocês são filhas do Altíssimo. Confie e busque o Senhor. Todas as vidas do mundo foram salvas na cruz a partir do momento em que elas creem, e a cruz se torna o início da salvação que, por sua vez, traz consequências redentivas para todos. Portanto, existe um planejamento redentivo de educação e cuidado para seu filho ou filha, mesmo sem um pai terreno. Entenda o seu papel de filha de Deus e receba a instrução Dele para cuidar de si e, depois, de seus filhos. 

 Aos filhos: sim! Não importa se criança, adolescente ou jovem, você também é um indivíduo que tem direitos e deveres. E, sim, existem direitos até para bebês (que é assunto a ser tratado em outro momento). Você está debaixo do lar de seus pais e também deve se submeter a toda essa organização, respeitando-os em seus direitos, em seu tempo, em sua individualidade e obedecendo-os, para ter vida longa e próspera (Efésios 6: 1 e 2).

Pais e Mães: Neste caso, pais e mães, vocês devem evangelizar e educar seus filhos, conversando com eles em qualquer idade. Se ele não absorver como vocês gostariam, estará aprendendo o diálogo, os papeis, o respeito ao próximo e autoridades. Nada será em vão, todo ser humano pode aprender o que lhe compete, só basta fazer isso, respeitando a idade e maturidade de cada um (Efésios 6:4).

E aqui, não quero me eximir, “lavando as mãos” após um texto. Por isso, se você entendeu de coração a mensagem e gostaria de dividir suas dificuldades com alguém, me procure, para conversarmos especialmente sobre sua demanda reprimida, dores, desafios e sobre como podemos trabalhar para uma rotina saudável dentro do seu lar. 

Abraços.

Deleia de Jesus Avital | deleiavital@gmail.com

Estou disponível às segundas, quartas e sextas, das 18h às 19h.

Agenda link: https://calendly.com/atendimentos-mob/deleia

 

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