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O Ser inDefinido e a inConformidade da Cultura de InFormalidade

O Ser inDefinido e a  inConformidade da Cultura de InFormalidade

A Presença de Deus se manifesta por intermédio daqueles que estão perante a Face de Deus. Quando estes O chamam, Ele vem.

 

INTRODUÇÃO

Acabe e Jezabel governaram Israel a partir da capital Samaria, mas também estabeleceram um palácio em Jezreel, uma região  dentro das fronteiras da tribo de Issacar. Trouxeram a Israel prosperidade econômica, acumularam riquezas e obtiveram conquistas políticas expressivas por causa da aliança com povos pagãos e com o Reino de Judá.

Durante o governo de Acabe, Elias foi levantado por Deus para proclamar uma palavra de juízo sobre Israel, que resultou em uma sanção econômica e estabeleceu uma crise política. Após três anos, Deus ordena que Elias comparecesse diante de Acabe, pois Deus enviaria chuva sobre a terra. Chamado por Acabe como "o perturbador de Israel",  Elias afirmou que na verdade, o  perturbador de Israel era o próprio rei.

 

"E fez Acabe, filho de Onri, o que era mal aos olhos do SENHOR, mais do que todos os que foram antes dele. (...) Também Acabe fez um bosque, de maneira que Acabe fez muito mais para irritar ao SENHOR, Deus de Israel, do que todos os reis de Israel que foram antes dele." - 1Rs 16.30-33

 

"Porque se observam os estatutos de Onri e toda a obra da casa de Acabe, e vós andais nos conselhos deles; para que eu faça de ti uma desolação e dos seus habitantes um assobio; assim, trareis sobre vós o opróbrio do meu povo" - Mq 6.16

Onri, pai de Acabe, estabeleceu novos estatutos e alterou as diretrizes do sacerdócio e do culto a Deus. Acabe ampliou isto, estabelecendo um novo modal de governo por causa da união com Jezabel (Baal exalta, Baal é meu marido), filha de Etbaal (com Baal) rei de Sidom, bem como, implementou novas práticas de culto. Neste contexto, não negavam a Deus, mas não eram inteiros na relação com Deus. Acabe ao invés de se arrepender por causa do juízo, preferiu acusar e perseguir Elias por causa da Palavra de juízo que o profeta liberou. É mais fácil perseguir aquele que nos confronta, do que se render ao Deus que expõe a nós mesmos, a verdade de quem somos.

 

O DESAFIO DA LEGITIMIDADE SACERDOTAL

Elias desafiou duas companhias proféticas -  de 450 profetas de Baal e  400 profetas de Aserah - que comiam da mesa de Jezabel.  O local era  o monte Carmelo (uma terra ou um campo fértil), localizado no território sobre o domínio de Tiro, sendo portanto um território do deus Baal.

Os Profetas que prestavam culto a Baal (Senhor) e Aserah (deusa da fortuna e da felicidade, também conhecida por Astarte, esposa de Baal) foram poupados da fome por Jezabel, a mobilizadora do culto pagão em Israel. Em meio a uma fome severa,  estes profetas estavam bem alimentados em seu refúgio no palácio, porque toleravam as práticas de Acabe e Jezabel, e serviam aos seus interesses.

“Naquele dia”, declara o Eterno, “você Me chamará de ‘meu marido’ [ishi]: não mais Me chamará de ‘meu mestre’ [baali]. (Hosea 2:18). Este é um duplo trocadilho. Baal, no hebraico bíblico, significa ‘um marido’, mas num sentido mais específico – ou seja, ‘mestre, dono, possuidor, controlador.” Demonstra domínio físico, legal e econômico. Era também o nome do deus canaanita – cujos profetas Elijah desafiou no famoso confronto no Monte Carmel. Baal (com frequência retratado como um touro) era o deus da tempestade, que derrotou Mot, o deus da esterilidade e da morte. Baal era a chuva que impreganava a terra e a tornava fértil. A religião de Baal é a adoração de deus-como-poder. Hosea contrasta este tipo de relacionamento com a outra palavra hebraica para marido, ish. Aqui ele está relembrando as palavras do primeiro homem para a primeira mulher (Gn 2.23)..." - Jonathan Sacks

 

Neste contexto, nos deparamos com um povo indefinido, que não tinha mais certeza sobre quem era o Deus de Israel. Eram como mancos, que não tinham firmeza em seus passos, que serviam a Deus e aos ídolos. Pessoas indefinidas são fragmentadas, híbridas e estéreis em suas relações interpessoais. Além disso, não suportam ambientes pactuais, pois estes ambientes são definidores. Todo indefinido é um idólatra, que deseja manter a salvo os ídolos do seu coração. Os profetas que assimilaram práticas pagãs em seu serviço sacerdotal, sustentavam a injustiça e eram sustentadas por ela. Não confrontavam a iniquidade, mas se tornaram convenientemente iníquos.

A legitimidade do serviço sacerdotal e profético é atestada pela manifestação da Presença de Deus, e não pela simulação da mesma. A Presença de Deus não é atraída pela estética do lugar onde nos reunimos, muito menos pelas inovações tecnológicas usadas durante o momento da celebração, nem mesmo pelo ambiente sensorial arquitetado para que as pessoas fiquem emocionalmente mais vulneráveis e possam se entregar ao êxtase durante o culto.

A Presença vem em resposta ao tipo de pessoa que O está invocando. Não é sobre o lugar do culto, mas sobre o coração de onde emana o culto. A presença não se manifesta no coração dividido de homens indefinidos, porque este lugar já é ocupado pelo ídolos da pós-modernidade.  A Presença vem quando homens e mulheres que o adoram em Espírito e em Verdade O invocam.

 

"Dizer que todo ser humano deseja o reino não significa que todos desejamos o mesmo reino." - James A.Smith

 

Profetas e Sacerdotes comprometidos com a cultura pós-moderna e com o Estado são feiticeiros. Simulam ambientes proféticos, manipulam as palavras segundo seu interesse, dizendo em Nome de Deus e o que Deus não disse, e se utilizam de artifícios de manifestações espirituais para sustentar sua aparência de pessoas proféticas. Seduzem os corações e enfeitiçam a mente de seus ouvintes, além disso, são homens visserais e violentos.

Toda pessoa indefinida é alguém que promove uma cultura de inconformidade. Esta palavra significa não estar em concordância, por que não possui uma  forma idêntica ou semelhante. Os profetas de Baal e Aserah não sabiam mais quem Deus era, porque já não sabiam mais diante de quem estavam. Logo, também já não sabiam mais quem eram. Estavam presentes diante do altar, apresentaram as ofertas, prestaram culto, mas não estavam perante a Face de Deus. Não tiveram respostas, porque  suas vozes não foram ouvidas.

 

"Os ídolos deles são apenas prata e ouro, feitos por mãos humanas. Têm boca, mas não podem falar; tem olhos, mas não podem ver; tem ouvidos, mas não podem ouvir; tem nariz, mas não podem cheirar; tem mãos, mas não podem sentir; tem pés, mas não podem andar; com sua garganta, não podem emitir som. Os povos que os fazem se tornarão como eles, juntamente com todos aqueles que neles confiam" - Sl 115.4-8

 

ESTAMOS DIANTE DE UMA GRANDE OPORTUNIDADE

Elias chamou o povo para sair da informalidade. Deveriam dar um passo e sair da obscuridade e se apresentarem diante de Deus juntamente com ele. Deveriam deixar de ser meros espectadores do que estava acontecendo, para se tornaram parte do que estava acontecendo. Ainda não tinham uma forma clara, porque estavam tentando se preservar da exposição pessoal presente em toda relação pactual.

Em seguida, Elias reparou o lugar do culto. Segundo historiadores, Elias reparou  o altar que anteriormente era utilizado no serviço para Deus, o qual  foi substituído por um novo altar para um novo deus.  Além disto, restabeleceu o princípio da representatividade, reedificando o altar em Nome de Deus, reconhecendo-O como Senhor do seu povo. Santificou o altar, dedicando novamente o lugar do culto ao Deus do culto. Como profeta, Elias era um homem que discernia o tempo, por isso, aguardou o momento oportuno de orar, mesmo com tudo pronto no altar de sacrifício.

 

A Presença de Deus se manifesta por intermédio daqueles que estão perante a Face de Deus. Quando estes O chamam, Ele vem.

 

A oração de Elias é legislativa, de reconhecimento da pessoa de Deus, de reafirmação do Seu Pacto com os Patriarcas, e de concordância com a intencionalidade do Seu agir. Elias não orou para que Deus mudasse o cenário de fome na terra, mas para que o coração do povo que cultiva a terra correspondesse a ação de Deus naquele momento.

O juízo veio para chamar o povo para se voltarem para Deus. Era um chamado  para que o indefinidos pudessem se lembrar de que a relação pactual os definia como povo de Deus. E assim, serem reposicionados no processo formativo, que traria conformidade em relação à natureza de Deus.

 

SE NÃO MATARMOS OS NOSSOS ÍDOLOS DO CORAÇÃO, PERDEREMOS A VIDA POR CAUSA DELES.

Elias terminou de orar e Deus respondeu com fogo que consumiu o holocausto, a lenha e a água. A Presença Manifesta de Deus gerou arrependimento, todos se renderam e adoraram, reconhecendo-o como Senhor. Mas a Presença também definiu o destino dos profetas de Baal e Aserah. Todos que estavam profundamente comprometidos com a cultura idólatra e com a mesa de Jezabel, foram mortos ao fio da espada, conforme ordena a lei em Dt 13. Foram mortos no trecho sinuoso do Ribeiro de Quison (armadilha do engano), pois as suas obras caíram sobre suas cabeças (Sl 7.16)

A demonstração de poder foi uma resposta a incredulidade do povo. Os sinais sempre são para os incrédulos para que creiam. Mas o sinais sempre seguem os que andam em fidelidade. Não devemos procurar sinais, mas devemos estar atentos para discernirmos os sinais quando surgem. Nesta ocasião o sinal veio como um juízo sobre os infiéis, assim como aconteceu no deserto com os israelitas  (Nm 11)

 

OUVIR É A CHAVE, A INTERCESSÃO É O MEIO, E A CORRESPONDÊNCIA É O FIM.

Elias ouviu um barulho de uma chuva forte. Todos ainda estavam atônicos com o sinal de Deus e o julgamento dos profetas, mas como o profeta permanecia perante a Face de Deus, imediatamente assumiu um postura de intercessão. Esta postura envolve o comprometimento total com aquilo que está sendo dito. Por meio da intercessão, alinhamos nosso coração para que estejamos aptos para a estação de cumprimento das palavras que ouviram e nos mobilizaram a interceder.

Se não nos comprometemos com as palavras que ouvimos, seremos julgados por elas. A postura de Elias, trouxe uma visão clara do que Deus estava fazendo. Imediatamente, após ouvir e ver, proclamou e respondeu a própria proclamação.  Acabe mesmo com sua carruagem, acabou sendo ultrapassado por Elias, que correu a sua frente, porque a mão de Deus estava sobre ele.

 

CONCLUSÃO

Este cenário de Elias pode ser contextualizado com a dinâmica apresentado no Apocalipse sobre a Igreja de Pérgamo. Os nicolaítas eram como Acabe, exerciam governo na Igreja através do controle ao invés do amor que liberta. Usavam suas plataformas de poder para exercer domínio ao invés de servirem em amor sacrificial. Além disto, reivindicam lealdade e fidelidade, se apresentando como pais e coberturas espirituais das famílias da comunidade. Além disto, havia em Pérgamo, a influência da plataforma de manipulação profética de Jezabel, onde profetas mantinham uma aliança com o Estado, sendo sustentados, amparados, protegidos e colocados em evidência por este. E assim como os profetas de Baal e Aserah foram julgados pela espada, Cristo se apresenta a Igreja de Pérgamo como aquele que possui a espada afiada que corta de ambos os lados. Neste contexto, a Igreja de Pérgamo é chamada para se posicionar firmemente, porque senão seria visitada com julgamento, como aconteceu nos dias de Elias.

Por isso, acredito que nós devemos observar a sequencia das ações de Elias, para que possamos levantar um testemunho na cidade.

  • Sair da Obscuridade para um lugar de exposição: Deixar a indefinição, abandonar  a inconformidade e sair da informalidade.

  • Restabelecer,  Posicionar e Santificar: O fundamento e a centralidade do culto, a representatividade por aliança e a santificação do coração.

  • Permanecer perante a Face de Deus: O lugar da Presença, onde se ouve e se é ouvido, um lugar de mobilização e comprometimento.

  • Ouvir, Interceder e Corresponder:

  • Não criar Expectativas, não ter pensamentos elevados sobre si mesmo, Estar pronto para a perseguição: Não se frustrar por achar que Deus não fez tudo o que deveria ser feito. Permanecer firme, mesmo em meio a perseguição.

Por isso, neste dia que se chama hoje, nossa oração é para que nosso coração esteja livre dos ídolos, que sejamos inteiros na relação com Deus e com nossos irmãos, e acima de tudo, que estejamos continuamente perante a Face de Deus.

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MOB Collab
Marcelo Souza
Marcelo Souza Seguir

Natural de Curitiba, é casado com Zélia e pai da Júlia. Pastor na Missão Mobilização, Founder da Illumine, Presidente da Acridas, mentor e conselheiro de empresários e líderes nas áreas corporativa, pública e eclesiástica.

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